“A Invasão”

Nova Iorque nos dias de hoje vê-se a braços com a invasão de uma epidemia de origem extra-terrestre. Os seus cidadãos em contacto com a substância alienígena mudam subitamente os seus comportamentos. Seres de comportamento autómato que à custa do sacrifício humano procuram a todo o custo fabricar o maior número possível de híbridos. É neste clima que Nicole Kidman tenta a todo o custo proteger a vida dos que lhe são queridos, principalmente a do filho, cujo pai e ex-marido de Kidman se transformou num desses seres incaracterísticos. O filme soa a déja-vue da série com o mesmo nome, que já passou no pequeno ecrã. Uma interpretação ao seu nível de Nicole Kidman, que não teve aqui, seguramente, um dos seus maiores papéis. Boa contracena de Daniel Kraig, o cientista namorado da intérprete.
A Face Oculta de Mr. Brooks

Um dos atractivos do filme é o de nos fazer ter compaixão de um assassino: Mr.Brooks, um cidadão respeitável e filantropo, incapaz de dominar os seus instintos assassinos. Kevin Costner dá vida à personagem, que com o seu alter ego personificado pelo actor William Hurt, deambula pela noite à procura de novas vítimas. (A contacena entre ambos é boa e os diálogos inteligentes). Normalmente a caça centra-se em jovens casais apanhados no acto de fazer amor. Numa dessas incursões nocturnas, são descobertos por um vizinho das vítimas que os passa a acompanhar em busca de novas vítimas. Uma das virtudes do filme é o de nos fazer pensar até que ponto o ser humano não é dominado pela sede de sangue, de morte, do lúgubre.
O filme tem fôlego, mas sem ser brilhante. Boa prestação também de Demmi Moore no papel de agente da polícia que tenta capturar em vão Mr. Brooks, que depois de mais uma série de homicídios em cadeia, é no final um homem atormentado e disposto a mudar. Consegue fugir ao que parecia ser o ajuste de contas final com a Justiça. O seu ardil volta a triunfar. A melhor cena do filme: o diálogo ao telemóvel com Demi Moore. Sopro de suspense bem executado. Previsível a cena do assassinato de Mr.Brooks pela filha, também ela com tendências homicidas, que depois desperta e vê que tudo não passou de um pesadelo.
Este filme foge à velha máxima de que os criminosos devem ser sempre punidos no final.
Acção moralizadora que o cinema deve sempre possuir e que muitos advogam não cumprida na película. Se bem ou mal, fica ao critério de cada um.
Ruptura
Protagonizado por Anthony Hopkins, este é o filme que conta a história de um homem que assassinou a mulher depois de descobrir que ela o traía. Este é o tipo de filme em que o actor consegue escravizar o espectador ao ecrã com a mais surpreendente mestria. Fala-se é claro daquelas personagens bem ao estilo de Hopkins: “o assassino frio e calculista, que adora jogos psicológicos”. O registo de Hopkins respira talento e grande naturalidade. A contracena com Ryan Gosling do Ministério Público não é tão surpreendente como se poderia supor. Gosling não tem o carisma de uma Jodie Foster, e não é um grande actor, pelo menos não no género dramático. De resto o filme não surpreende. O engenho dourado de Hopkins soa a déja-vue. A trama apresenta contudo algumas boas soluções que dão algum fôlego ao filme, como a troca de armas e a última cartada de Gosling para levar o assassino a um segundo julgamento, e que conseguem quebrar as cenas mastigadas como: o romance enttre Gosling e a Rosamund Pike e parte da acção que se desenvolve no escritório de advogados.
“Zodiac”
Donovan – Hurdy Gurdy Man
Aplaudido pela crítica, “Zodiac” é também um bom exemplo de como uma canção se encaixa tão bem no enredo do filme. “Hurdy Gurdy Man” dos Donovan ganha uma força tremenda ao servir de pano de fundo à cena do primeiro homicídio perpetrado pelo serial killer. O tema vai subindo de tom ao compasso dos tiros disparados, dos jorros de sangue que salpicam o vestido da vítima. Imperdível e sublime. Um excerto, de algumas das cenas do filme, pode ser aqui visto
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